daniel kamykovas – textos e diversos

um depósito de indiscrições

Mês: julho, 2012

uma carta de amor, para ser sincera

precisa, além de ser ridícula, de pelo menos um erro grave de ortografia.
não há paixão na correção.

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kerouacando

de volta pra estrada
trafego, eis minha fé
ao léu fiz morada.

em tempo, pau no cu do walter salles.

athos

gramado, sol, manhã:

o pequeno athos, com uma camisa do
corinthians e um short preto,
toca a bola prum tio.

– assim, de três dedos, com força.
– tio braga, o que é ser poeta?
– é expressar sentimentos.
– como com a bola?
– mais com palavras.
– ? vai no gol…

– tio braga, como expresso sentimentos
com as palavras?
– depende muito.
– pela mamãe?
– só existindo você está muito além das
palavras. existir faz de você essa expressão.
toca a bola.

– e você?
– eu, o que?
– pela mamãe…
– cara, a bola. se preocupe com isso.

– mas o que é fazer verso?
– depois do futebol.
– me ensina a fazer?
– ensino.

– você gosta dela, né?
– verdade.
– eu odiaria você por isso. mas corinthiano
apoia corinthiano.
– e de mim, moleque, você gosta?
– mais fazendo verso que com a bola.
vai ensinar a tal poesia?
– posso ajudar, mas creio que você nasceu sabendo.
tenta aquela trivela.
– e se eu fosse bambi?
– mano, chuta!!

o tygre

interpretação tosca da versão que fiz do poema do bill blake ‘the tyger’.
composição minha, sim, todos os dois acordes da harmonia e as cinco notas da melodia.

o tygre

tygre! tygre a incandescer
selva escura: o irromper
q’olho ou mão imperecível
fez sua forma tão terrível?

qual abismo ou ermo céu
viu da chama um olho seu?
asa qual que o elevou?
mão de qual arder pintou?

arte ou fé? que força então
bem forjou seu coração?
deu-se como o seu pulsar?
mãos & pés de qual altar?

qual marreta? qual corrente?
qual fornalha fez sua mente?
urro surdo da bigorna
mal horror mortal se torna?

lanças vindas das estrelas
lágrimas do céu: vertê-las
rindo o viu sem ser de esguelha
deus o fez & fez a ovelha?

tygre! tygre a incandescer
selva escura: o irromper
q’olho ou mão imperecível
fez sua forma tão terrível?

soneto novo em:

http://sonetosdobraga.wordpress.com/

um agradecimento pros leitores de ambos, que tem sido bastantes, considerando que são dois blogs de poesia e não de humor com memes.

vou fazer um soneto com memes pra competir com a blogaiada por aí.

é isso, saindo mais coisas estarão ou aqui ou lá no ‘sonetos’.

amo todos vocês (mas não muito).

fui na padaria onde costumo comer e pedi um bife a cavalo, faz uma semana. o ovo veio duro, esturricado, da carne nem se fala. é uma padaria na beira da estrada e atende caminhoneiros, viajantes, turistas, pouca gente local. e paulistanos comem ali. essa gente que foi se tornando cada vez mais mísera, que transformou a metrópole num rincão que nem merece o nome de província. esse povo, os coxinhas (que obviamente não comem coxinha), geraram o kassab e o serra. são gente que assiste o jornal hoje e adota as dicas de saúde. que adota as opiniões políticas do arnaldo jabor. que se preocupa seriamente com todo o caralho de frivolidades da vida, que tem medo de tudo, que é mais reacionária que seus próprios avós e apenas se sente bem quando está sendo infantil. claro, são as crianças mimadas dos 70 e 80 e 90 que se tornaram esse povo; muita tevê, pouca leitura, sólida burrice aprendida e transmitida em todos os níveis. nenhuma arte. nenhuma.
bem, o prefeito daqui se chama orlandini e é um escroto do dem, mas não é o serra nem o kassab. aqui se pode pedir um ovo mole, ainda. e foi o que eu fiz hoje, pedi o ovo mole e a carne mal passada. sabem por quê? porque é o máximo que eu posso fazer por vocês, amigos, mostrar que nem todo mundo curte a vida estéril.
e se por um acaso você pensou: ‘esse aí vai ter salmonela ou pegar verme’, cara, como eu tenho pena e nojo de você. prefiro os vermes, a doença, a morte que conviver com você.